Segundo o ideário republicano, através dos museus a sociedade encontra-se consigo própria e toma conta do seu passado. E não apenas toma posse, como, através da descontextualização dos objectos, os altera, substituindo as suas antigas funções, valores e simbolismos, por outros, tipicamente laicos, da beleza estética, da contextualização histórica, da emblemática pátria. É desta nova apropriação colectiva, essencial ao Estado laico, que se trata na criação dos museus republicanos, num fenómeno que vinha da Revolução Francesa e que se expandiu praticamente por toda a Europa.