Retrato de Afonso de Portugal, Bispo de Évora. Detalhe do painel "A morte da Virgem" do retábulo flamengo da Sé de Évora.Esboço biográfico de D. Afonso de Portugal, bispo de Évora, com enfoque particular na sua formação e produção intelectual, nas iniciativas edificadoras na cidade e nas profundas obras realizadas na Sé de Évora, que culminaram na encomenda do retábulo flamengo da capela-mor. O patrocínio de novas fundações marcou o seu bispado, até porque, este coincidiu com o período de maior transformação e desenvolvimento da cidade. Só em Évora podemos contar quatro grandes fundações religiosas fundadas no seu governo: os Lóios, em 1485, Santa Catarina, em 1490, o Paraíso, em 1499, e o das Maltesas em 1517. Foi no entanto a Sé Catedral, naturalmente, o palco privilegiado da acção artística do bispo D. Afonso e um dos aspectos do seu governo mais sublinhado pelos lacónicos biógrafos. Caetano de Sousa afirma que “do seu generoso animo deixou na sua Igreja, em magnificas obras, hum eterno padrão da sua grandeza, como testemunham ainda hoje os Escudos das suas Armas, que se vem em diversas partes, dignas da grandeza de um tão grande senhor como elle foy”. Embora muito repintados estes escudos permanecem nos fechos das abóbadas de toda a nave sul da igreja, e subsistem na porta de acesso ao coro alto e na bela grade gótica que abre para o baptistério onde  a enorme pia baptismal, de um mármore imaculado, com uma sóbria decoração torsa, num estilo que agradava ao bispo, que o usara nas colunas do grande portal do seu Palácio de Évora.