Azulejos com as armas de D. Luís da Silva Teles, arcebispo de Évora, na Igreja de Santo Antão.O mestre entalhador lisboeta Francisco Machado realizou uma série de retábulos por encomenda de D. Frei Luís da Silva Teles, arcebispo de Évora. Os contratos, entre outras cláusulas, estipulam a execução da obra de talha no próprio Paço Episcopal, uma relação privilegiada que permitiu ao arquitecto-entalhador a realização de obras fundamentais do Barroco no Alentejo, com o retábulo da Nossa Senhora dos Anjos, na Sé de Évora (1699) e o retábulo da capela-mor de Santo Antão (1702). O conjunto da obra de Francisco Machado põe em relevo a importância da relação de continuidade articulada entre um mestre-artífice e os seus mecenas. Pelo que conhecemos, Machado realizou cinco retábulos para a Companhia de Jesus e outros quatro, em sequência, sob a supervisão directa do Arcebispo de Évora. Para D. Luís da Silva Teles essas obras, cuidadosamente escolhidas para edifícios emblemáticos da cidade e das vilas do arcebispado – Igreja de Nossa Senhora do Bispo, em Montemor, Sé de Évora, Igreja Paroquial de Santo Antão, Igreja Paroquial de São Pedro -, possuem uma amplitude significante mais vasta, representando também a dignidade episcopal e a própria qualidade do seu governo pastoral. Os retábulos são uma demonstração pública da magnificência e da magnanimidade do arcebispo, da sua força moral e do seu zelo católico. Com seu autoritarismo e paternalismo atávicos impôs a realização da forma que mais lhe convinha: no Paço Episcopal, sob a sua supervisão, em prazos rigorosos.