Fotografia em fluorescência de ultra violeta, detalhe do painel "A Virgem da Glória".Primeiro balanço do projecto de investigação e da intervenção de conservação e restauro do retábulo da capela-mor da Sé de Évora, obra que exerceu uma influência marcante sobre a pintura portuguesa da primeira metade de Quinhentos. As invulgares dimensões do conjunto, a sua situação na pintura de Bruges no início do século XVI, referenciando-se com claras influências tanto da emergente oficina de Gerard David, como com o recém disperso atelier de Van der Goes, torna o retábulo de Évora um caso de estudo particularmente interessante. Sendo óbvio que as dimensões exigiam uma junção de vários ateliês, a obra pode ser encarada como um modelo de trabalho colectivo onde se sintetizam e cruzam influências de várias oficinas e onde se tornam particularmente visíveis usos e processos de trabalho na construção material, que podem vir a ser muito esclarecedores, sobretudo se conseguíssemos cruzar a informação que a nossa própria pesquisa devia gerar com outros trabalhos recentes e processos de investigação em curso. Com estas premissas ficou claro que o encerramento do Museu de Évora seria uma oportunidade única para a conservação destas peças, que esse processo seria acompanhado por uma exaustiva documentação com generalizada cobertura fotográfica, de raios-x, de fotografia à luz ultravioleta e de reflectografia de infra-vermelhos, para além de análise químicas a pigmentos, ligantes e camada preparatória das pinturas e análise dendrocronológica dos suportes. Por fim, pareceu-nos fundamental que se pudesse dar a este estudo uma componente internacional, não só de forma a suprir algumas fragilidades internas no estudo da pintura flamenga, como sobretudo para facilitar o cruzamento da nossa investigação com outros projectos semelhantes recentes ou em curso.