Registo gráfico da ossada de uma das sepulturas da Necrópole Medieval no subsolo do Museu de Évora.O estudo realizado sobre os ossos exumados das sepulturas descobertas durante as escavações realizadas no Museu de Évora em 1996-1997, incide particularmente no exame de entesopatias ósseas, artroses e fracturas, revelando dados que reforçam a hipótese desta necrópole constituir um espaço sepulcral para uma elite militar, envolvida na conquista e manutenção do domínio cristão em Évora. Um dos aspectos curiosos deste local é o facto de existir praticamente em todas as sepulturas um só indivíduo, procedimento invulgar em necrópoles medievais. Adicionalmente, a estreita relação entre a dimensão da sepultura e a estatura do seu ocupante reforçam a suposição desta Necrópole constituir um espaço sepulcral para uma elite militar. Constituída por militares, esta amostra não representa necessariamente os indivíduos do sexo masculino da população geral, devendo ser encarada como um caso singular. E são vários os sinais esqueléticos que podem fornecer conhecimentos acerca do modo de vida dos indivíduos, e o desenvolvimento de entesopatias e de artrose sugerem uma resposta do esqueleto a um intenso esforço físico, sendo normalmente designados por indicadores de actividade ocupacional. As fracturas, em determinados casos, também podem ser bastante esclarecedoras.