Brasão com as armas dos Dominicanos, peça que se ajusta na parte superior do oratório, em imagem anterior ao restauro.Este trabalho reporta a intervenção de conservação e restauro do oratório indo-português de madeira policromada, pertencente ao Museu de Évora, para integrar a exposição “Encompasing lhes Globe: Portugal and the world in the 16th and 17th centuries”, da Smithsonian Institution, em Washington (EUA). A intervenção, que seria apenas de estabilização, foi bastante mais significativa, na medida em que consistiu na destituição de repintes de natureza oleosa, na sua maioria datáveis do século XX, expondo novamente as superfícies originais, que proporcionam uma nova leitura, porventura mais contida, dos valores cromáticos presentes nas esculturas do universo luso-indiano. A peça apresenta a mesma estratigrafia das camadas preparatórias de policromia para todos os seus elementos constituintes, incluindo a cúpula, o brasão com as armas dos Dominicanos, a imagem e a respectiva peanha, pelo que se conclui terem sido policromados na mesma altura. A técnica utilizada nessas camadas preparatórias consiste em três estratos de bólus (alumino silicato de ferro), sendo que nos dois primeiros foi também identificado gesso. Através de tratados e de estudos sistemáticos existentes sobre peças do mesmo período (séculos XVII-XVIII), damos conta não ser comum, pelo menos na Península Ibérica, a predominância daquele composto de ferro relativamente ao sulfato de cálcio, na técnica de aparelhar a madeira para receber douramento ou estofado e que assim trata-se de uma adaptação relativamente aos receituários da época.