Presépio do Museu de ÉvoraA tradição do presépio conheceu em Portugal grande expansão, assumindo características muito próprias que se revelam, tanto ao nível das estruturas, como ao nível da selecção das figuras e das cenas representadas, e que permitem, através das imagens da Natividade, identificar áreas de produção e algumas autorias.

Contudo, existiu um tipo de presépio ainda pouco estudado cujas características perspectivam outras influências, mais diversificadas e distintas daquelas que associamos à tradição dos grandes conjuntos mais conhecidos. Um dos elementos mais característicos da composição desse peculiar tipo de presépios é a profusa presença de elementos marinhos (escamas, esponja, conchas e búzios variados), usados isoladamente e em composições florais ou, ainda, em revestimentos arquitectónicos. Os cenários assim contruídos remetem para um universo imaginário que transcende o mundo real, com notória filiação na tradição dos embrechados. Esses espaços que enquadravam cenas como a da Natividade eram, na sua maioria, fruto do laborioso e paciente trabalho das religiosas dos conventos e recriavam o que se supunha ser um local paradisíaco.