Detalhe da arquitectura do presépio.O recurso à utilização de materiais menos nobres na arte dos presépios em Portugal é muito comum. Podem ser observados mesmo em obras de maior monumentalidade e erudição, como nos Presépios da Estrela e da Madre de Deus, em Lisboa, invariavelmente na execução do torrão, com o emprego de cortiça, barro, fibras vegetais, têxteis, contas de vidro, lantejoulas, papel, tecido, etc. Este facto poderá estar relacionado não só com o carácter efémero das primeiras representações da Natividade que inicialmente constituíam composições destinadas apenas ao período natalício mas, também, com a tentativa de imprimir realismo à encenação pelo recurso ao emprego de substâncias locais. Já a utilização de materiais marinhos, como a de conchas e de búzios, na decoração de Natividades, parece afastar-se desta realidade para antes recriar, através de um gosto pela naturália, exuberantes e fantásticos ambientes palacianos. Não poderemos, contudo, deixar de estabelecer um paralelo desta prática com a da decoração de pequenos oratórios flamengos, designados por Jardins Clos, datados do século XVI, onde se observam, para além de motivos florais elaborados em papel, também a aplicação directa de materiais retirados da natureza, como sementes e flores secas.