Ferro de alabarda inglesa, finais do século XVIII.O Museu de Évora tem em sua posse uma colecção de armas relativamente grande e que se tem mantido largamente desconhecida. Trata-se de algumas armas que outrora pertenciam à antiga colecção de antiguidades e curiosidades da Biblioteca de Évora e outras provenientes de colecções privadas ou escavações arqueológicas que têm sido incorporadas através de doações ou legados, e acrescentadas à secção de armaria da base de dados do museu.

Várias áreas cronológicas são abrangidas pela colecção. O conjunto de armas mais antigas inclui peças dos períodos pré e proto-históricos do Calcolítico, Idade do Bronze e Idades do Ferro, e também do período da República e Alto Império Romanos. O grupo mais recente conta com um grande número de exemplares da Idade Moderna e Contemporânea, desde o século XVII até o XIX, contando com armas brancas e armas de fogo. Ausente está o Baixo Império Romano e todo o período Medieval, alto e baixo, que não são representados por uma única peça neste conjunto. Assim existe uma lacuna de cerca de 15 séculos entre as cronologias mais aproximadas destes dois grupos principais. A interrupção não é de estranhar, visto que ocupa um período em que o registo arqueológico se torna notavelmente mais escasso, em particular no que respeita ao armamento.

Apesar deste entremeio, a colecção ainda reúne um número considerável de peças com uma diversidade apreciável, suficiente para garantir o seu interesse como objecto de estudo. Além de que possui também um pequeno grupo de armas africanas datando do século XIX. Levadas das suas terras nativas pelas forças coloniais, a proveniência exacta destas peças é desconhecida. De qualquer modo, este conjunto é um complemento interessante à colecção que, de outro modo, seria quase exclusivamente composta de peças do continente europeu.