Detalhe da moldura do vão da capela-mor da Sé de Évora.Umas breves notas manuscritas atribuídas a Heliodoro da Cunha Rivara, com a identificação da autoria de diversas obras de talha dourada setecentistas dos templos da cidade de Évora, foram, muito provavelmente, o princípio da fama póstuma dos mestres entalhadores Manuel Abreu do Ó e Sebastião Abreu do Ó. O texto, tão categórico quanto sintético, anota, depois de comentar o total desconhecimento sobre o trabalho de mestres dos séculos anteriores:

“No princípio, porém, do século XVIII, começou a figurar os irmãos Abreus, que estenderam sua actividade além do meado do mesmo século. São obras delles a talha da Cartuxa, a capella-mor do Convento dos Remédios, e a capella-mor do Convento das Freiras de São José, mas nesta as molduras dos painéis são de Luís João”.

A fama que passava a unir os dois artífices não era pequena, já que ficava assim atribuído o retábulo da capela-mor da igreja do Convento da Cartuxa de Évora, um dos maiores e mais imponentes retábulos de talha da época, cujo douramento foi patrocinado por D. João V, em 1729, e também o retábulo da capela-mor da igreja do Convento de Nossa Senhora dos Remédios, considerado por Robert Smith um dos melhores conjuntos de talha Rococó do país. Para além da importância das obras ficava por explicar um percurso estético verdadeiramente singular que, partindo do Barroco Nacional, se exprimia também na talha do Mosteiro de São José, para atingir o seu apogeu no vocabulário Rococó do Mosteiro de Nossa Senhora dos Remédios.