Detalhe da gravura de Gottfried Göz.O azulejo constitui um campo de estudo fascinante. A expressão ímpar que adquiriu em Portugal, elevando-o a modalidade artística de eleição e assumindo um papel cultural que se confunde com a criação de uma certa ideia de identidade nacional, deve-se ao poder criativo dos artífices, bem como às suas qualidades intrínsecas.

O baixo preço, aliado a qualidades utilitárias, constitui um aliciante, a adicionar à sua grande eficácia decorativa e narrativa. Capaz de dinamizar os muros que lhe servem de suporte pelo brilho e efeitos lumínicos, joga, ainda, com os elementos arquitectónicos, transformando modelos e propondo soluções que constituem a sua originalidade.

Os azulejos figurativos concretizam todas as potencialidades desta arte cerâmica, já que possibilitam ainda a transmissão de uma mensagem. De carácter instrutivo ou lúdico, reproduzindo modelos sociais que se pretendem acentuar, revelam uma vontade de afirmação por parte de quem os adquire. Os grandes ciclos narrativos, como o que será abordado, são o resultado de um programa que reflecte as preocupações e ideias dos seus promotores.

Vamos centrar a nossa atenção nos azulejos do Mosteiro de São Bento de Cástris de Évora, em particular o ciclo de São Bernardo, que reveste as paredes da Igreja, procurando entendê-lo nas circunstâncias históricas da sua encomenda e feitura, com incidência nos modelos gráficos utilizados, destacando-se a actualização na adopção de modelos Rococó, particularmente, de origem germânica.