Desde o século XVI, com o estabelecimento das rotas navais de comércio com o Oriente, a porcelana chinesa torna-se o modelo ideal para a produção de faianças na Europa. A superfície vítrea perfeitamente branca, as paredes finas e a leveza das peças são as marcas de referência de qualidade para a produção dos mais importantes centros oleiros da Europa, onde se destacam Lisboa, Sevilha e Amesterdão.

A par de um comércio indistinto, as encomendas mais importantes solicitavam a inclusão de brasões de famílias nobres e indicações precisas sobre os temas figurativos e ornamentais da tradição Ocidental. No reverso da medalha, por imitação, a combinação de elementos Ocidentais e Orientais reflecte-se também nas peças de faiança produzidas na Europa.

Essa terrina redonda, sem asas, é uma produção das olarias de Lisboa nos finais do século XVII, pintada a azul (óxido de cobalto) com contornos vinosos (óxido de manganés), e combina elementos decorativos ocidentais com personagens chinesas que deambulam pelo jardim. Apresenta uma cartela de volutas Barroca com as iniciais D. V. R., provavelmente do nome da sua proprietária, uma das freiras do Convento de Santa Clara em Évora, de onde essa peça é proveniente.

Celso Mangucci

BIBLIOGRAFIA

PEREIRA (1948), Gabriel, Estudos Eborenses. Évora, Editora Nazareth, 1948 (2º edição). Catálogo da Exposição A Influência Oriental na Cerâmica Portuguesa do século XVII. Lisboa: Sociedade Lisboa 94 e Museu Nacional do Azulejo, 1994.