inscrição: AQI IAZ O MVITO HONRADO FERNA GLZ COGOMINHO SOR Q FOI DAS VI/LAS DAGVAR E ORIOL INSTITVIDOR/ DO MRGADO DA TORRE DOS COELHEIROS EDALGO DEL REY DO AO QVARTO FA/LECEO NA ERA DE 1364 ANNOS. [Aqui jaz o muito honrado Fernão Gonçalves Cogominho, senhor que foi das Vilas de Aguiar e Oriola, instituidor do Morgado da Torre de Coelheiros e fidalgo do rei D. Afonso IV. Faleceu na era de 1364 anos.]

D. Fernão Gonçalves Cogominho era filho bastardo do cónego da Sé de Lisboa, D. Gonçalo Fernandes Cogominho e, portanto, neto de D. Fernão Fernandes Cogominho, o primeiro a usar desse nome. O fidalgo pertenceu ao conselho do rei Afonso IV e desempenhou numerosos cargos na corte: foi meirinho-mor, desembargador, procurador e copeiro-mor. Em 1345, representou, em Avinhão, o rei português em embaixada ao Papa Clemente VI.

Foi em 1357, que Cogominho instituiu o morgado da Fonte dos Coelheiros, no termo de Évora, “com todos os seus direitos e pertenças e casas e vinhas, torre, pomar, fontes, ribeiros, azinhal, soveral, matos”, por considerar que “a partição das heranças entre os herdeiros era azo de não poderem os filhos manter a honra dos padres e dos seus avós e as linhagens ficavam em grande míngua e caíam os estados e honras que antigamente houveram”, ou seja garantindo ao seu primogénito as posses necessárias a manutenção do seu estatuto social.

Segundo o testemunho setecentista de Frei Jerónimo de Belém, a arca tumular do fidalgo eborense situava-se “à entrada da Igreja de São Francisco, da parte direita, na capela do Espírito Santo”. A arca está ornamentada com os doze apóstolos distribuídos por seis edículas ao longo de cada lateral. Nas faces menores, correspondentes à cabeceira e aos pés, encontramos quatro representações herádicas, num total de três escudos distintos, entre os quais um escudo com campo preenchido por cinco chaves dispostas em Sautor, que constituem as armas da família Cogominho.

O jacente representa o nobre cavaleiro com cabeça repousando sobre dupla almofada, com os cabelos longos e barbas bipartidas, dentro da moda da corte de D. Afonso IV. Veste trajo comprido, com capa sobre os ombros, presa à frente por firmal ricamente decorado. D. Fernão Gonçalves Cogominho segura com a mão esquerda, uma espada que repousa ao longo do corpo. Os pés, calçados com esporas, apoiam-se no dorso de um grande lebreu.

(MJB)

BIBLIOGRAFIA

Barroca, Mário Jorge, Epigrafia Medieval Portuguesa. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação para a Ciência e tecnologia, 2000.