Nicolau de Chanterene é um dos mais importantes escultores do Renascimento em Portugal. Francês de nascimento, a sua actividade conhecida remonta a 1511, data em que realiza as esculturas do cruzeiro da capela do Hospital Real de Santiago de Compostela. É provável que se tenha deslocado para Portugal por volta de 1517, ano em que se documenta o seu trabalho no Convento de Santa Maria de Belém, realizando as esculturas de vulto representando o rei D. Manuel e da Rainha D. Maria, para o portal axial, trabalho que lhe valeu a nomeação como escultor régio, com direito a pensão anual e o tratamento de escudeiro.

Mestre Nicolau residiu alguns anos em Évora, acompanhando a estadia da corte e integrando-se na companhia de eruditos humanistas, tendo aqui realizado uma importante série de obras para a aristocracia eborense na década de 30, do século XVI.

A exemplo de D. Manuel com o Mosteiro dos Jerónimos de Belém, o camareiro-mor D. Álvaro da Costa foi grande patrono do convento de freiras dominicanas de Nossa Senhora do Paraíso, tendo subvencionando uma grande campanha de obras com a reedificação do refeitório na área conventual e, na igreja, do coro e da capela-mor, que escolheu para jazigo perpétuo da família.

Datado de 1535, o túmulo situava-se no lado da Epístola da capela-mor, mas com a demolição do convento, passou a integrar a colecção de arqueologia da Biblioteca Pública de Évora, onde deu entrada no ano de 1902.

Em forma de edicula, com frontão triangular e o brasão dos Costa ao centro, segue o modelo já proposto pelo escultor para o túmulo da abadessa D. Leonor de Vasconcelos (1526), no Mosteiro de Santa Maria de Celas em Coimbra, com duas pilastras caneladas laterais, em cujo centro se abre um arco de volta perfeita. Aos cantos, nos óculos circulares vazados figuram-se dois bustos, um masculino e outro feminino, provavelmente um retrato idealizado do casal de tumulados, optando-se, no plano inferior, pela representação de uma arca tumular desadornada.

O friso superior e o soco são decorados com baixos-relevos de enrolamentos vegetais, representando, no inferior, duas figuras antropomórficas sustentando uma coroa que envolve um mascarão.

Celso Mangucci