Esse fragmento de um relevo representando uma Ménade é uma das peças mais sedutoras da colecção de escultura romana do Museu de Évora. Segundo a mitologia clássica, as primeiras Ménades foram as ninfas que alimentaram o deus Dionísio/Baco, e são conhecidas como as bacantes divinas. Inspiradas pela embriaguez cantam e dançam freneticamente até serem possuídas por um êxtase místico. Representam-se nuas ou vestidas com véus ligeiros que mal lhes dissimulam a nudez. Em grupo de nove, dançam coroadas de hera, e trazem na mão um tirso, por vezes um cântaro, ou então tocam um instrumento como uma flauta de dois tubos ou um tamborim.

Nesse fragmento de relevo é sensível uma linguagem plástica do primeiro classicismo (século V a.C.) que apreendemos através da transparência sensual das vestes e da sensação de movimento, linguagem que seria recuperada na época do imperador Augusto (31 a.C. - 14 d.C.), período em que foi provavelmente executada essa peça

Encontrada no século XVIII, já fora do contexto original, junto aos alicerces da muralha romana de Beja, pertenceu à colecção do Bispo Frei Manuel do Cenáculo, e pode ser comparado à uma ara com a representação de uma Ménade encontrada no teatro de Augusta Emérita (Mérida).

No entanto, muitas dúvidas permanecem sobre essa escultura. Que elemento decorativo seria? Estaria suspensa como parte de um oscillum? Em que espaço se aplicava? Um edifício público de Pax Júlia (Beja), ou num edifício privado?

 

Luís Jorge Gonçalves e Trinidad Nogales Basarrate

 

BIBLIOGRAFIA

Catálogo da Exposição Imagens e Mensagens. Escultura Romana do Museu de Évora. Lisboa: Instituto Português de Museus e Museu de Évora, 2005