Pequeno vaso com decoração simbólica encontrado no monumento funerário da Anta Grande do Zambujeiro. De forma esférica achatada, apresenta uma decoração incisa onde predomina o pontilhado e o tracejado. A pasta cerâmica possui uma estrutura e compacta e as superfícies alisadas, de cor rosa-acinzentada, com manchas anegradas.

A decoração parece irradiar a partir do desenho de um triângulo duplo, preenchido com pontos, que pode ser associado à representação do púbis feminino, e de dois círculos (olhos), em torno dos quais se dispõem radialmente pequenos traços (cílios). Na zona inferior dos olhos estão representados traços rectilíneos, paralelos, que são interpretados como “tatuagem” facial.

Esta decoração simbólica é habitualmente interpretada como a figuração de uma entidade feminina, conotada com o princípio de vida e também à “Deusa Mãe”, que corresponde a um culto mágico-religioso associado aos rituais da morte das comunidades dos períodos Neolítico e Calcolítico. O carácter simbólico dessas figuras geométricas é reforçado pela sua repetição em outros objectos individuais, como as placas de xisto e báculos e nas próprias estruturas pétreas dos monumentos.


De forma particular, a representação dos raios a volta dos olhos pode significar a representação de uma nova divindade, “a deusa dos olhos de sol”, que seria contemporânea ao incremento da metalurgia no Sul da Península Ibérica (Gonçalves, 1999).

 

Celso Mangucci

 

BIBLIOGRAFIA


GONÇALVES
(1999), Victor S., Catálogo da Exposição Reguengos de Monsaraz, Territórios Megalíticos. Lisboa, Museu Nacional de Arqueologia, 1999